Pronunciamento do Presidente Barack Obama e do Presidente Macri, da Argentina, em Coletiva de Imprensa Conjunta

23 de março de 2016

CASA BRANCA
Escritório do Secretário de Imprensa
Para Divulgação Imediata
Casa Rosada
Buenos Aires, Argentina
12h56 Horário da Argentina

PRESIDENTE MACRI: Bom dia a todos. Obrigado por estarem conosco hoje. E bem-vindo, senhor presidente – caro senhor presidente. Estamos contentes por sua visita com toda a família. Quero compartilhar com vocês por alguns instantes essa dor que todos no mundo sentimos diante deste novo ataque cruel e devastador. Quero transmitir minha solidariedade às famílias das vítimas. E, mais uma vez, é uma boa oportunidade para refletir com vocês sobre o fato de o fanatismo gerar intolerância, agressão e violência que não levam a lugar nenhum. Portanto, a Argentina condena mais uma vez esse tipo de atentado terrorista, o qual lamentamos profundamente.

Permita-me dizer mais uma vez que esta visita, senhor Presidente, tem um significado especial para nós. Nós a vemos como um gesto de afeto e amizade, em um momento em que a Argentina embarca rumo a um novo horizonte, em meio a um processo de mudança. Sentimos que nossos países compartilham valores profundos – respeito aos direitos humanos, às liberdades individuais, à democracia, à justiça e à paz.

E sinto que também compartilho com o senhor a mesma visão do século 21, que apresenta desafios e oportunidades. Este é o século da sociedade do conhecimento, do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, da inovação e do empreendedorismo. É isso que certamente nos permitirá conseguir os melhores empregos para nosso povo.

E neste momento, gostaria de enfatizar, senhor presidente, a sua própria liderança, que tem sido muito inspiradora para a maioria dos líderes. O senhor chegou propondo mudanças importantes e mostrou que eram possíveis; que com ousadia e convicção o senhor poderia mudar o status quo. E o senhor atingiu esse objetivo, em seu país e no mundo afora. Essa trajetória também foi uma inspiração, considerando o momento por que passa nosso querido país. Por isso, muito obrigado por essa fonte de inspiração.

Gostaria de repassar rapidamente algumas das muitas coisas sobre as quais concordamos nessas semanas de trabalho, que culminaram nesta visita. A primeira, coerente com o pilar dos compromissos que assumi com minhas equipes: queremos que a Argentina atinja a pobreza zero. E sabemos que os primeiros pilares são educação e trabalho. Assim sendo, o primeiro acordo que assinamos busca ampliar intercâmbios de bolsas de estudos e treinamento de professores, aprofundando o trabalho e o desenvolvimento em ciência e tecnologia.

E quanto à criação de empregos, que é algo que também mencionamos hoje pela manhã, quero salientar a importância de ampliar o comércio entre nossos países. A Argentina tem muito a oferecer e atualmente tem um nível muito baixo de intercâmbio comercial com os Estados Unidos. É muito importante que trabalhemos juntos para aumentar os investimentos de suas empresas na Argentina, estimulando também o desenvolvimento das PMEs, que são as principais criadoras de emprego. Nesse aspecto, novamente, quero parabenizá-lo – pois por 72 meses consecutivos, segundo soube, o senhor tem criado emprego em seu país. E espero que a Argentina esteja entrando em um ciclo semelhante, parte do qual será a criação constante de empregos para que nosso povo viva melhor.

A outra área na qual nos comprometemos a trabalhar juntos, que também é o segundo eixo ou pilar do nosso governo, é enfrentar e derrotar o tráfico de drogas. Eu mencionei hoje pela manhã que, na última década, o tráfico de drogas avançou muito em nosso país. Por isso estamos muito contentes por poder trabalhar juntos nessa frente para trocar informações, tecnologia, treinamento e realmente travar uma batalha incessante contra o crime organizado e a lavagem de dinheiro.

Ainda, sobre essa base de diálogo, respeito e cooperação, pela qual eu lhe agradeço, estamos a apenas algumas horas do aniversário do golpe militar que levou à consolidação do capítulo mais sombrio de nossa história. O senhor concordou com nosso pedido de tornar públicos os arquivos relacionados a essa década violenta da Argentina. E somos muito gratos por esse gesto. Todos precisamos e, na verdade, temos o direito de conhecer a verdade. E para o povo argentino, isso foi um sinal claro de que se dialogarmos com outros países, de forma séria e respeitosa, eles cooperarão rapidamente e responderão às nossas solicitações.

Finalmente, quero enfatizar outra área central das nossas discussões, na qual o senhor também mostrou grande liderança, uma liderança muito importante, que diz respeito à defesa e proteção do nosso meio ambiente – a luta contra as mudanças climáticas.

O progresso visto em termos da disseminação e do fortalecimento das energias renováveis. A Argentina está integrando esse esforço. E acredito profundamente nisso – como já lhe disse. Como prefeito da cidade, aprendi sobre a importância da agenda verde e agora estou comprometido em garantir que nosso país também lidere na luta contra as mudanças climáticas no século 21.

Gostaria de concluir como comecei – agradecendo-lhe, senhor presidente, por sua visita e dizendo que acredito que este seja o início de uma nova fase de relações maduras, inteligentes e construtivas nas quais o nosso único interesse é melhorar a qualidade de vida do nosso povo. E tenho certeza de que, trabalhando juntos, atingiremos esse objetivo.

Muito obrigado. E, por favor, sinta-se em casa. (Aplausos.)

PRESIDENTE OBAMA: Buenas tardes. Boa tarde. É maravilhoso estar na Argentina pela primeira vez. Quero agradecer ao povo da Argentina e ao presidente Macri e à sua equipe por acolherem não somente a mim, mas também a minha família nesta bela cidade.

Como dizia o presidente, nós tivemos uma conversa excelente. E posso afirmar que o presidente Macri é um homem que tem pressa. Estou impressionado, pois ele tem agido rapidamente com relação a muitas das reformas que prometeu – criar crescimento econômico mais sustentável e inclusivo e religar a Argentina à economia global e à comunidade internacional. E hoje, em uma demonstração de confiança no novo rumo da Argentina, muitas empresas americanas estão anunciando dezenas de milhões de dólares em novos investimentos aqui na Argentina, o que pode ser parte de um pacote de investimentos mais amplo capaz de levar a novos empregos e crescimento econômico neste país.

E o que o presidente Macri e sua equipe conquistaram em tão pouco tempo é também testemunho não só de sua incrível energia, mas também da disposição de pessoas de diferentes partidos de trabalhar juntas. E isso é impressionante dada a história de polarização política da Argentina. E sei algumas coisas a respeito disto – polarização política. (Risos.) Mas disse a ele e à sua equipe que os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de todas as formas possíveis com a Argentina durante essa transição histórica, de qualquer forma que acreditemos – e que vocês acreditem – que seja proveitosa.

E não são só as empresas que têm percebido as mudanças em curso aqui em Buenos Aires. O mundo também percebeu. Com o presidente Macri, a Argentina está reassumindo seu papel tradicional de liderança na região e no mundo. E em diversas áreas, discutimos as maneiras como os Estados Unidos e a Argentina podem ser fortes parceiros globais na promoção dos interesses e valores universais que compartimos.

Temos um compromisso comum com a liberdade e a segurança em nossos respectivos países e no mundo. Hoje, os povos dos Estados Unidos e da Argentina estão com os belgas, e expressamos nosso profundo pesar pelas perdas que sofreram. Compreendemos visceralmente a dor que sentem, pois nossos países também conhecem o flagelo do terrorismo, e vimos nossos próprios cidadãos sofrerem esse tipo de violência cruel e sem sentido.

Como disse ontem ao primeiro-ministro belga, os Estados Unidos continuarão a oferecer toda assistência possível para ajudar a investigar esses atentados e levar seus perpetradores à justiça. Também continuaremos a combater o grupo Estado Islâmico até removê-lo da Síria e do Iraque e, finalmente, destruí-lo. O mundo deve se unir contra o terrorismo. E podemos – e assim o faremos – derrotar aqueles que ameaçam a segurança e a proteção não só do nosso próprio povo mas de pessoas no mundo todo. Portanto, trata-se de prioridade máxima para nós, e sei que o presidente Macri compartilha essas crenças.

Essa é uma das razões pela qual o presidente Macri e eu concordamos em trabalhar juntos para desmantelar o terrorismo, para fazer mais para estrangular os mecanismos existentes de financiamento do terrorismo e para manter nossos cidadãos em segurança em suas viagens. Os órgãos federais dos Estados Unidos prestarão apoio às ações de contraterrorismo da Argentina. E também apoiamos a intenção do presidente Macri de recuperar o papel tradicional da Argentina de importante colaborador das missões de paz, inclusive auxiliando as ações da ONU para proteger as populações vulneráveis. E os Estados Unidos têm muito orgulho de apoiar esse esforço com treinamento e equipamento.

O presidente Macri também declarou que a Argentina está empenhada em ajudar a enfrentar a crise de refugiados da Síria. E espero que isso inspire outras nações a fazer o mesmo. Estou muito estimulado com seus esforços para combater o tráfico, reduzir o crime organizado e tornar as ruas da Argentina mais seguras. Em todas essas áreas, creio que podemos ser parceiros muito eficazes.

Os Estados Unidos e a Argentina também compartilham o compromisso de proteger este planeta para nossos filhos, netos e bisnetos. O presidente Macri mostrou-me fotos de seus maravilhosos filhos, incluindo a pequenina – (risos) – que segundo soube tornou-se uma sensação no Facebook – (risos) – e posso ver por quê. Queremos garantir que ela, assim como as minhas filhas, e nossos futuros netos, possam contar com a beleza da Argentina e dos Estados Unidos sem nenhum dano irreversível causado pelas mudanças climáticas.

O apoio do presidente Macri foi fundamental para o sucesso do acordo de Paris. Seu compromisso em assinar o acordo e tentar sua ratificação este ano será fundamental para que entre em vigor. A Argentina definiu metas impressionantes de produção de energia limpa e está planejando metas ambiciosas de redução de emissões de carbono. E como temos experiência – desde que assumi a presidência triplicamos a quantidade de energia que obtemos do vento e aumentamos nossa energia solar em 20 vezes, sem falar no trabalho que fizemos com o gás e o óleo de xisto – estamos confiantes de que nossa parceria pode ser eficaz.

E comprometi-me com o presidente Macri a fornecer toda assistência técnica que ele considerar útil para desenvolver os incríveis recursos e estratégias de energia limpa que tem interesse em promover aqui na Argentina.

Também partilhamos um compromisso com a segurança da saúde global. Concordamos em trabalhar juntos em nossa resposta ao vírus da Zika, que obviamente está afetando muitas pessoas neste continente. Concordamos em apoiar a ampla Agenda de Segurança da Saúde Global, inclusive trabalhando em conjunto para melhorar a capacidade das nações vulneráveis – pois em um mundo interconectado, se há doenças se desenvolvendo mesmo nas aldeias remotas da África ou da Ásia, devido às viagens globais, elas podem se tornar uma ameaça significativa para as nossas populações. Não podemos fingir que o problema é só deles; o problema também é nosso. E vamos trabalhar em parceria para melhorar nossa capacidade de detectar, responder e, em última instância, evitar a ameaça de novas doenças.

Também é gratificante ver a Argentina defender nosso compromisso comum com os direitos humanos. Espero que trabalhemos juntos para fortalecer a Organização dos Estados Americanos e o Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos – para promover liberdades civis, judiciários independentes, transparência no governo e prestação de contas em todo o continente. Sei que essa é uma área de grande importância para o presidente Macri.

E finalmente, após sair da Casa Rosada hoje, visitarei a Catedral Metropolitana para depositar uma coroa na sepultura de José de San Martin e visitar o comovente memorial ao terrível atentado ao centro comunitário judaico Amia, há quase 22 anos. Eu disse ao presidente Macri que os Estados Unidos oferecem toda ajuda possível para finalmente punir os criminosos. E vamos, só para reiterar, fazer exatamente o mesmo na perseguição àqueles que cometeram os terríveis atentados na Bélgica.

Sei que esta semana marca o 40o aniversário do golpe militar. E amanhã, para reafirmar nosso compromisso comum com os direitos humanos, visitarei um memorial às vítimas da ditadura militar argentina e reverenciarei os esforços históricos e contínuos da Argentina para fazer a coisa certa – garantir nosso reconhecimento ao heroísmo e à coragem incríveis daqueles que se levantaram contra essas violações dos direitos humanos.

E para provar que isso é mais que somente um gesto simbólico de minha parte, como o presidente Macri mencionou, estou lançando uma nova iniciativa para abrir mais documentos desse período sombrio. No passado, tornamos públicos milhares de registros dessa época, mas pela primeira vez agora também tornaremos públicos registros militares e de inteligência. Neste aniversário e daqui em diante, estamos absolutamente determinados a fazer a nossa parte, enquanto a Argentina continua a se recuperar e avançar como nação. E espero que esse gesto também ajude a reconstruir a confiança que pode ter se perdido entre nossos países.

Essa é uma das principais mensagens que tenho, não somente para a Argentina, mas para todo o continente. Obviamente, vim para cá direto de Cuba. Colocamos grande ênfase em assegurar o reconhecimento sincero de algumas ideologias e disputas do passado, mas também na possibilidade de olharmos para o futuro e não somente para trás. E é por isso que esta visita é, para mim, pessoalmente importante. Também é importante porque sou um grande fã da cultura argentina. Quando estava na faculdade, li muita literatura argentina. E tenho orgulho de anunciar que acabei de experimentar mate pela primeira vez. (Risos.) Porque na faculdade, eu lia Borges ou Cortázar – e essas pessoas, eles bebiam mate. E eu não sabia o que era isso.

Portanto, sabia que quando finalmente chegasse em Buenos Aires, experimentaria essa bebida. Acabei de tomar um pouco, e estava muito bom. (Risos.) Talvez eu leve um pouco para casa quando voltar aos Estados Unidos. No entanto, não sei que tipo de controles de importação e exportação estarei violando. No Air Force One eu geralmente posso fazer o que quiser.

Senhor presidente, muito obrigado. (Aplausos.)

PRESIDENTE MACRI: (Intérprete) Com isso, iniciaremos a coletiva de imprensa, como planejado.

Primeiro, da Argentina, Liliana Franco, do jornal Ambito Financiero, fará uma pergunta.

P Desculpe, mas farei minhas perguntas em espanhol, pois estou na Argentina.

(Intérprete) Gostaria de dirigir a primeira pergunta aos dois presidentes: Vocês conversaram sobre um acordo de livre comércio entre os Estados Unidos e o Mercosul? E especificamente ao presidente Obama, qual é o papel que o senhor atribui ao presidente Macri, sobretudo levando em conta a grave situação pela qual o Brasil passa no momento? E como o senhor vê a atual negociação entre a Argentina e os holdouts ou, como os conhecemos aqui, os “fundos abutres”? Muito obrigada.

PRESIDENTE MACRI: (Intérprete) Começamos a buscar formas de abrir ambas as agendas. Essa é uma estrada que se inicia agora. E eu disse ao presidente Obama que estamos exportando menos de 1% de nossas exportações agroindustriais, o que significa que há muito espaço para crescimento como parte de uma trajetória na qual devemos primeiramente consolidar o Mercosul e depois pensar sobre um acordo de livre comércio mais amplo.

Mas, certamente, o que ambos sentimos é que temos muito espaço para trabalho conjunto após muitos anos de relações praticamente inexistentes. Muitas oportunidades estão surgindo, sempre com o mesmo objetivo em mente, ou seja, criar emprego para argentinos e americanos.

PRESIDENTE OBAMA: E como disse em meu pronunciamento inicial, estamos extremamente impressionados com o trabalho que o presidente Macri já realizou em seus primeiros cem dias. Buscamos boas relações com todos os países do continente, mas, é claro, a Argentina, historicamente um dos maiores e mais poderosos países do continente, precisa ser nosso parceiro fundamental para que não somente ajudemos nosso povo, mas também ajudemos a promover a prosperidade, a paz e as oportunidades na região como um todo.

Estou absolutamente certo de que, dado o interesse do presidente Macri na transparência, na prestação de contas e na reforma econômica aqui na Argentina, ele está dando um exemplo para outros países do continente. E seu compromisso e disposição em ter relações francas e construtivas e dialogar com a comunidade global sobre questões multilaterais vitais como as mudanças climáticas, acredito, prometem engrandecer a influência da Argentina no cenário mundial em âmbitos como o G-20.

É uma pena que nossos mandatos só coincidirão por mais nove meses. Ele está iniciando o seu mandato. Eu estou chegando ao final do meu. Mas podemos iniciar uma trajetória efetiva que acho que se sustentará no futuro.

O comércio é um exemplo de setor em que já organizamos um grupo de trabalho entre nossas delegações. Eles identificarão todas as áreas onde há barreiras atualmente impedindo o progresso das nossas relações comerciais. E vamos trabalhar nelas sistematicamente. Organizar um acordo completo de livre comércio pode ser o final do processo. Acho que no início, agora, tem muito o que capinar, muitos empecilhos comerciais desnecessários que podem ser eliminados administrativamente. E isso é um pouco do trabalho que pretendemos fazer de imediato.

A pergunta tinha uma segunda parte?

P Os holdouts, como o senhor os vê?

PRESIDENTE OBAMA: Sobre os holdouts e os portadores de títulos, a situação está sendo tratada pelo sistema judiciário. E sei que o presidente Macri também iniciou uma proposta que está sendo analisada pelo seu parlamento. Tenho de ter o cuidado de não comentar a questão devido à natureza do nosso sistema jurídico. Esses juízes geralmente são indicados por mim, portanto, para que permaneçam imparciais, se há um caso pendente, não o comento em público.

O que posso dizer é que a abordagem construtiva que o presidente Macri adotou trouxe a possibilidade de uma resolução. E uma resolução sobre essa matéria estabilizará a relação financeira internacional da Argentina de uma maneira que poderá acelerar muitas outras questões muito importantes.

Até certo ponto, a questão é vista como altas finanças, então as pessoas comuns dizem: por que isso importa? Mas se estamos falando de investimento estrangeiro, se estamos falando de comércio, se estamos falando de todas essas coisas que no final são importantes para as pessoas comuns, porque produzem emprego e desenvolvimento econômico e fornecem mais receita para ser reinvestida em educação ou ciência e tecnologia, isso requer o tipo de estabilidade financeira que é tão importante.

Olhem, eu passei por isso. Quando assumi o cargo em 2008, o sistema financeiro global estava indo por água abaixo, como dizemos. E tivemos de adotar muitas medidas e fazer escolhas difíceis. E nem sempre elas foram bem recebidas na ocasião.

Mas, por conta das medidas que adotamos, nossos bancos se recuperaram mais rápido que os bancos europeus, por exemplo. Nossa economia começou a se recuperar mais rapidamente. Começamos a produzir mais empregos. Portanto, às vezes um curto período de dor e agir cedo e com determinação é a coisa certa a fazer, em vez de adiar para mañana e depois ter um conjunto de problemas perpétuos, sem nunca conseguir restaurar o tipo de estabilidade e confiança necessário.

SR. EARNEST: A primeira pergunta da delegação dos Estados Unidos virá de Josh Lederman, da Associated Press.

P Obrigado senhor Presidente. Presidente. O senhor resistiu a chamados para uma mudança de estratégia na luta contra o Estado Islâmico e disse que seus críticos não oferecem nenhuma ideia melhor. Mas os atentados continuam ocorrendo. Bruxelas mudou alguma coisa para o senhor? E se não, o senhor gostaria – o senhor acha que os americanos devem entender que mais atentados são inevitáveis? E o que o senhor acha que isso diz a respeito da situação do nosso debate sobre esse tema, quando se tem um importante candidato a presidente defendendo a vigilância das comunidades muçulmano-americanas?

E, presidente Macri, se puder, ambos os senhores ressaltaram que os Estados Unidos concordaram em liberar mais documentos sobre a Guerra Suja na Argentina. O que o senhor imagina que esses documentos revelarão sobre o papel dos Estados Unidos nesse doloroso capítulo da nossa história?

PRESIDENTE OBAMA: Josh, acho importante reconhecer que essa é a minha prioridade número um. Tenho muitas coisas na minha agenda. Mas minha prioridade máxima é derrotar o EI e eliminar o flagelo desse terrorismo bárbaro que atinge o mundo todo. E vemos atentados sofisticados na Europa, mas eles também estão matando muçulmanos no Oriente Médio – pessoas inocentes, pessoas cuja única culpa é adorar o Islã de um modo diferente dessa organização. Eles estão envenenando a mente dos jovens em toda parte. Não só na Europa, mas nos Estados Unidos e, sem dúvida, na Argentina, as pessoas estão vendo esses sites.

Portanto, nenhum item é mais importante na minha agenda do que persegui-los e derrotá-los. A questão é como fazer isso de maneira inteligente. E a nossa abordagem tem sido a de fazer ajustes continuamente para ver o que funciona e o que não funciona. O que tem funcionado são os ataques aéreos sobre a liderança, a infraestrutura e os sistemas financeiros deles. O que tem funcionado são operadores especiais fazendo parceria com as forças de segurança iraquianas e indo atrás das redes de lideranças e serviços de entrega, e desmantelando a conexão entre suas bases em Raqqa e suas bases em Mosul.

Nós recuperamos – retiramos do EI cerca de 40% do seu território. E os líderes do EI estão perdendo força, e nós continuaremos a pressioná-los até expulsá-los de seus redutos e até que sejam destruídos. Enquanto fazemos isso, estamos extremamente vigilantes quanto à prevenção de ataques em nosso país e trabalhando com nossos aliados para prevenir atentados em lugares como a Europa.

Mas, como disse antes, é um trabalho difícil. E não é por não termos os melhores e os mais inteligentes profissionais trabalhando nisso. Não é porque não estarmos levando essa ameaça a sério. É porque é difícil encontrar e identificar grupos muito pequenos de pessoas dispostas a morrer e que podem andar no meio da multidão e detonar uma bomba. E o que eu cobro da minha equipe é encontrar todas as estratégias possíveis para reduzir com êxito o risco desses ataques terroristas, até mesmo quando vamos atrás do coração desse grupo em lugares como o Iraque e a Síria.

E à medida que as nossas estratégias evoluem e vemos mais oportunidades, vamos usá-las. Mas o que não fazemos, o que não devemos fazer, é empregar métodos que vão ser contraproducentes. Então, quando ouço alguém dizer que devemos bombardear indiscriminadamente o Iraque ou a Síria, isso não só é desumano, não só é contrário aos nossos valores, mas provavelmente seria um mecanismo extraordinário para que o EI recrute mais pessoas dispostas a morrer e explodir bombas em um aeroporto ou uma estação de metrô. Essa não é uma estratégia inteligente.

Com relação ao que disseram alguns candidatos, acho que deixei isto muito claro. Uma das grandes forças dos Estados Unidos, e parte do motivo por que não temos tido mais atentados no país, é que temos uma comunidade muçulmano-americana extraordinariamente bem-sucedida, patriota, e integrada. Ela não se sente relegada a um gueto, não se sente isolada. Seus filhos são amigos dos nossos filhos, eles frequentam as mesmas escolas. São nossos colegas no trabalho. São nossos homens e mulheres de farda que lutam pela nossa liberdade. Portanto, qualquer abordagem que os segregue ou discrimine não só é errada e antiamericana, mas também seria contraproducente, pois reduziria a nossa força, os anticorpos que temos para resistir ao terrorismo.

Quanto à ideia de montar vigilância em bairros que têm muçulmanos, acabei de sair de um país que adota esse tipo de vigilância de bairros – de onde, aliás, o pai do senador Ted Cruz fugiu para os Estados Unidos, a Terra da Liberdade. A ideia de começarmos a descer essa escarpa escorregadia, não faz nenhum sentido. Isso contraria aquilo que somos. E não vai nos ajudar a derrotar o Estado Islâmico.

A última coisa que vou falar sobre isso: Sei que quando nos vemos diante desses tipos de atentados, sentimos o coração sangrar, porque sabemos que poderiam ser nossos filhos. Poderiam ser membros da nossa família ou nossos amigos ou nossos colegas de trabalho que viajam para lugares como Bruxelas. E isso amedronta o povo americano. E me deixa aterrorizado. Tenho duas filhas, que estão crescendo um pouco depressa demais, e quero que elas tenham a liberdade de ir e vir e viajar pelo mundo sem a possibilidade de serem mortas.

Portanto, eu sei por que essa é a prioridade máxima do povo americano. E quero que ele entenda que essa também é a minha prioridade máxima. É a prioridade máxima da minha equipe de segurança nacional. É a prioridade máxima dos nossos militares. É a prioridade máxima do nosso serviço de inteligência. É a prioridade máxima dos nossos diplomatas. Mas estamos tratando disso de uma maneira que tem chance de dar certo – e vai dar certo. E não vamos fazer as coisas que são contraproducentes simplesmente porque é época de eleição. Seremos firmes. Seremos resolutos. E, no fim, vamos vencer.

PRESIDENTE MACRI: Desculpe, mas não acho que seria de nenhuma utilidade adiantar alguma opinião sobre o que vamos encontrar. Vamos esperar, analisar os documentos e depois comentar. Obrigado.

P Gostaria de saber a sua opinião sobre o papel dos Estados Unidos durante as ditaduras que dominaram a região, se o senhor acha que deveria haver uma autocrítica da parte dos Estados Unidos com relação a esse papel durante o período das ditaduras.

E quero perguntar aos dois presidentes se os senhores discutiram a crise brasileira em sua reunião.

PRESIDENTE OBAMA: Eu passei muito tempo, antes de ser presidente e desde que me tornei presidente, estudando a história da política externa dos EUA. E como a história da política externa de qualquer país, há momentos de muito sucesso e glória e há momentos que foram contraproducentes ou contrários ao que eu acredito que os Estados Unidos deveriam defender.

E não quero passar por toda a lista das atividades dos Estados Unidos na América Latina nos últimos cem anos. Imagino que todos aqui conheçam essa história pelo menos tão bem quanto eu. A verdade é que nos anos 1970, o reconhecimento de que os direitos humanos, o modo como abordávamos a política externa, o modo como abordávamos a nossa diplomacia eram tão importantes quanto o combate ao comunismo, ou qualquer que fosse o nosso objetivo de longo prazo – isso se tornou muito mais central para a política externa dos EUA tanto nos governos democratas quanto republicanos; e houve um crescimento e um amadurecimento na maneira como abordamos nossas relações de política externa.

Portanto, se você analisar o que os governos pensavam sobre outros países nos anos 1930 ou 1950 ou 1960 e comparar com o modo como faríamos hoje uma conversa no Salão Oval, e o que nós pensávamos que era adequado e o que não era adequado, isso mudou com o tempo. E acho que a mudança foi positiva.

E acho que uma das coisas boas sobre os Estados Unidos – e eu disse isso em Cuba – é que nós realmente fazemos muita autocrítica. Não há escassez de autocrítica nos Estados Unidos. Certamente não falta crítica ao presidente ou ao governo ou à política externa. E eu trabalho em questões pelas quais às vezes recebo críticas da esquerda e da direita ao mesmo tempo – embora por motivos diferentes.

A verdade é que tudo que fazemos hoje se destina a levar em conta a transparência e os direitos humanos e falar em defesa dessas questões. Mesmo em lugares onde sentimos que não podemos forçar mudanças no governo, ainda assim vamos nos manifestar sobre esses assuntos. Fiz uma viagem histórica a Havana, e disse que o povo de Cuba não tem motivos para ter medo de mim, mas deve saber o que eu realmente penso. Acredito que a democracia é melhor que a ditadura de um partido ou de uma pessoa. Acredito na liberdade de expressão e na liberdade de reunião, e que as pessoas não deveriam ser presas arbitrariamente. E digo a mesma coisa quando estou na China ou na Rússia ou com alguns dos nossos aliados de maneiras até constrangedoras.

Então, acho que isso se tornou um hábito. E nós aprendemos algumas das lições que não tínhamos aprendido completamente em tempos anteriores. E acho que as nossas experiências com um país como a Argentina nos ajudou a desenvolver essa abordagem mais madura e, em última instância, mais bem-sucedida da política externa.

Quanto ao Brasil, não discutimos o assunto extensamente, a não ser o fato de que esperamos que o país resolva sua crise política atual de forma eficaz. É um país grande. É um país amigo dos EUA e da Argentina. O que é bom – e acho que o presidente Macri ressaltou isso – é que a democracia no Brasil é suficientemente madura, seus sistemas de leis e estruturas, creio, são fortes o suficiente para que isso se resolva de uma maneira que permita ao Brasil acabar prosperando e sendo o importante líder mundial que é. Precisamos de um Brasil forte e eficiente para as nossas respectivas economias e para a paz mundial.

PRESIDENTE MACRI: (Intérprete.) É isso aí. Foi isso o que discutimos. Nós certamente estamos acompanhando isso de perto com base em nossa afeição pelo povo brasileiro e porque o Brasil é nosso principal parceiro estratégico no mundo por meio do Mercosul. Mas estamos convencidos de que o Brasil sairá desse processo e dessa crise fortalecido, e esperamos que isso ocorra o mais breve possível. Porque, evidentemente, o que acontece no Brasil também tem impacto no que acontece em nosso próprio país.

P Presidente Obama, após os ataques em Bruxelas, o senhor obviamente pensou muito sobre se devia seguir em frente e comparecer ao jogo de beisebol ontem em Cuba e continuar a viagem até a Argentina. Mas o senhor está recebendo uma saraivada de críticas nos Estados Unidos. Gostaria que o senhor explicasse porque decidiu que esse era o caminho correto em termos de perspectiva e mensagem. Qual é essa mensagem?

E, finalmente, sobre a viagem, parece que tanto em Cuba quanto na Argentina o senhor está tentando reverter um pouco da possível extrapolação ou intervencionismo da época da Guerra Fria. Gostaria de saber, agora que o senhor está aqui, se isso está moldando a sua opinião sobre intervenção na Síria e um plano B.

E, presidente Macri, o presidente Obama acredita que a normalização das relações com Cuba dará aos EUA muito mais credibilidade e vantagem na América Latina. O senhor também acredita nisso? E os senhores irão ao Brasil para as Olimpíadas, aconteça o que acontecer com a estabilidade do país? Obrigada.

PRESIDENTE OBAMA: Margaret, eu falei um pouco sobre isso no jogo de beisebol quando fui entrevistado pela ESPN, mas vou reiterar. Grupos como o Estado Islâmico não podem nos destruir, não podem nos derrotar. Eles não produzem nada. Eles não são uma ameaça existencial para nós. Eles são matadores e assassinos cruéis que perverteram uma das grandes religiões do mundo. E seu principal poder, além de matar inocentes, é instaurar o medo em nossas sociedades, desmantelar nossas sociedades, de tal modo que o efeito se alastra a partir de uma explosão ou de um ataque com um rifle semiautomático.

E apesar de sermos sistemáticos, implacáveis e determinados no combate a eles – desbaratando suas redes de contato, capturando seus líderes, fazendo suas operações recuarem – é muito importante para nós não reagir com medo. Como eu disse, isso é difícil porque vemos o impacto dos ataques que cometem de uma maneira muito próxima . Mas nós os derrotamos, em parte, dizendo: vocês não são fortes; vocês são fracos. Enviamos uma mensagem para aqueles que podem se inspirar neles dizendo: vocês não vão mudar nossos valores de liberdade e abertura e respeito por todas as pessoas.

E eu mencionei ontem no jogo de beisebol, um dos momentos que mais senti orgulho como presidente foi vendo a reação de Boston após o ataque à Maratona de Boston, porque eles deram uma lição aos Estados Unidos. Eles demonstraram pesar – estive lá para o memorial. Nós prendemos os culpados. Mas alguns dias depois, as pessoas estavam nas ruas fazendo compras. Alguns dias depois, as pessoas estavam naquele estádio de beisebol cantando o Hino Nacional. E o jogador de beisebol “Big Papi” estava dizendo o que sentia sobre Boston – Força Boston – e como um atentado terrorista não mudaria o espírito daquela cidade. Pois bem, naquele momento, ele falou sobre o que são os Estados Unidos.

E é dessa maneira que vamos derrotar esses grupos terroristas. Em parte, porque estamos perseguindo, atacando, prendendo, obtendo informações de inteligência sobre eles e cooperando com outros países. Mas em grande parte nós vamos derrotá-los dizendo: vocês não têm poder sobre nós. Nós somos fortes. Nossos valores são corretos. Vocês não oferecem nada a não ser a morte.

Portanto, é importante para o presidente dos EUA – e para o governo dos EUA – poder trabalhar com pessoas que estão construindo e criando coisas e gerando empregos e tentando resolver grandes problemas como as mudanças climáticas e instituindo programas de intercâmbio educacional para jovens que vão criar as próximas novas invenções importantes ou inovações científicas que poderão curar doenças. Temos de manter a cabeça erguida e continuar focados nas coisas que são mais importantes para nós. Porque estamos do lado certo da história.

E com relação a como a minha leitura da nossa história na América Latina impacta a Síria, acho que são coisas diferentes. O que eu tenho deixado claro é que quando se trata de defender os Estados Unidos ou seus aliados e nossos interesses essenciais, não hesitarei em usar a força militar onde necessário. Mas a maneira de fazer isso é importante. Não vamos sair simplesmente e explodir alguma coisa só pra voltar pra casa e dizer que explodimos alguma coisa. Isso não é política externa. Isso não é estratégia militar.

E acho importante que o presidente dos Estados Unidos e o governo analisem profundamente o que estão fazendo para que possam alcançar os objetivos que são prioritários para o povo americano. E posso lhes dizer que passo o tempo todo pensando – com nossos generais, nossos militares, nossos melhores pensadores – como combater o EI do modo mais eficaz; qual é a maneira mais eficiente de levar a paz à Síria. Não se lança simplesmente uma ação militar sem uma análise profunda e a certeza de que é eficaz.

PRESIDENTE MACRI: (Intérprete.) Bem, vou lhe dar a minha opinião sobre a viagem do presidente Obama a Cuba. Será um grande avanço em termos americanos, porque portas se abriram e ferramentas foram dadas àqueles que querem escolher novamente. E ele, como presidente dos Estados Unidos, foi até lá sem abrir mão de nenhum dos valores que prezamos nos Estados Unidos e na Argentina – a bandeira da liberdade, a causa da liberdade. Em outras palavras, trata-se de todos os seres humanos poderem decidir o que querem fazer do seu próprio futuro.

Acho que esse passo que foi dado possibilita e agiliza a discussão. E é disto que precisamos para os jovens cubanos que querem mais liberdade, encontrar mais parceiros pelo mundo todo. Vejo isso de um modo muito positivo, e acho que será também altamente positiva, durante os próximos anos, essa relação entre os Estados Unidos e a América Latina.

P – ir às Olimpíadas apesar da instabilidade lá?

PRESIDENTE MACRI: Isso está fora do programa. (Risos.) Eu vou. (Intérprete.) Sou vizinho deles. Não poderei correr – estou fora de forma – mas, de todo jeito, irei às Olimpíadas.

PRESIDENTE OBAMA: Pergunta do Facebook?

SECRETÁRIO DE IMPRENSA PAVLOVSKY: (Intérprete.) Pela página da Casa Rosada no Facebook, convidamos as pessoas a sugerir perguntas para os dois presidentes. E escolhemos esta de Maria Pia Montero (ph), de San Nicolas, na província de Buenos Aires.

Qual era o seu sonho quando o senhor foi eleito? E o senhor conseguiu realizá-lo?

PRESIDENTE OBAMA: Eu me candidatei a presidente porque acredito profundamente no povo americano e considerava que a nossa política não refletia inteiramente os valores, os talentos e a virtude do povo americano. E pensei que eu poderia alinhar nosso governo com nossos ideais – garantir que todas as crianças tenham oportunidade; que se uma pessoa ficar doente receberá cuidados médicos; que não discriminamos pessoas com base em raça, gênero, deficiência ou orientação sexual; que somos bons administradores do nosso planeta; que desenvolvemos uma economia para que todos se beneficiem e não apenas alguns poucos que estão no topo.

E fiz uma relação das coisas que queria fazer, que mantenho em minha mesa. E não vou dizer que consegui fazer 100%, mas fizemos muita coisa. É inquestionável que a economia está muito mais forte do que quando eu assumi o governo. Criamos mais de 14 milhões de novos empregos. Reduzimos nosso déficit fiscal em dois terços. Proporcionamos novo seguro saúde a 20 milhões de pessoas que não tinham nenhuma cobertura antes. Não só reduzimos a aceleração da nossa pegada de carbono, mas ajudamos a abrir o caminho para um acordo global sobre mudanças climáticas.

Na frente internacional, Cuba é apenas um exemplo do trabalho que fizemos. O acordo nuclear com o Irã que dissipou aquela ameaça do mundo, mas também deu ao Irã uma oportunidade de voltar a integrar a comunidade das nações. O trabalho que fizemos no Afeganistão – acabando com uma guerra, mas agora lhes dando a oportunidade de garantir o próprio futuro. O trabalho em lugares remotos como a Birmânia, que após 40 anos de governo por uma junta militar se encontra às vésperas de uma nova era de democracia. Portanto, penso que nossos valores – os valores que a meu ver melhor representam os Estados Unidos – também se refletiram em nossa política externa.

E uma coisa que eu aprendi após sete anos e meio no cargo é que – e usei esta metáfora antes – o presidente Macri falou sobre correr – nós somos como corredores de revezamento. Nós pegamos um bastão. E às vezes quando pegamos o bastão estamos atrás na corrida. E nem sempre escolhemos as circunstâncias quando pegamos o bastão. A pergunta é, no nosso trecho da corrida, avançamos as causas que nos interessam? A nossa equipe fez avanços contra os desafios que queremos enfrentar? E nessa frente, creio que avançamos.

Mas ainda temos muito trabalho a fazer. Ainda há muita gente nos Estados Unidos buscando mais oportunidades. Certamente não tive êxito em fazer com que os dois partidos trabalhassem juntos de forma mais cooperativa. E o tom da nossa política não é – não reflete, em minha opinião, o que existe de melhor em nós. Ainda há grandes desafios. O EI continua matando pessoas. A Coreia do Norte ainda tem um programa de armas nucleares. A paz no Oriente Médio não foi alcançada.

Portanto, se eu estivesse satisfeito agora, estaria cego para muitos desafios que enfrentamos. Posso dizer com certeza que o trabalho que fizemos tornou os Estados Unidos, e acho que o mundo também, mais fortes e melhores . E me sinto bastante bem por poder olhar para trás e dizer que agi com honestidade e integridade, e não sinto que tenha dito coisas nas quais não acredito ou agido de maneira a me envergonhar. E acho que isso vale alguma coisa, também.

Eu falei isto antes, eu deveria ter começado a pintar o cabelo mais cedo para que as pessoas não percebessem o quanto eu envelheci nesses sete anos e meio, mas agora é muito tarde. Então, vai ter que ficar assim mesmo.

PRESIDENTE MACRI: Eu já comecei de cabelos brancos, senhor. (Risos.)

(Intérprete.) Eu ainda estou só no começo, mas gostaria de dizer que – enfatizando também algumas palavras do presidente Obama – também estou aqui porque acredito profundamente no meu povo. Conheço este país e sei do que ele é capaz. Portanto, penso que estamos todos comprometidos com a criação de oportunidades para que todos nós possamos nos desenvolver e aprender uns com os outros.

E também há algo que você disse: Para curar as feridas do passado, precisamos pôr nosso futuro, nossos filhos, nossos netos como prioridade e construir soluções que claramente precisam estar conectadas com o mundo. Isolada do resto do mundo, não há futuro para a Argentina. É por isso que a sua visita é tão importante, assim como as visitas recentes de outros presidentes e primeiros-ministros.

E é nisto que estamos apostando – crescer em paz, deixar uma marca de paz, honestidade e trabalho árduo, que é o que nós argentinos somos capazes de fazer. (Aplausos.)

FIM 13h52 Horário da Argentina